Francisca Pires
Francisca Pires

17/03/2026, 11h


O Sindsaúde/RN tomou conhecimento, nesta terça-feira (17), de uma situação gravíssima registrada no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel que escancara o colapso na assistência e o descaso com os trabalhadores (as) e pacientes. 

De acordo com relatos, dois pacientes com suspeita de meningite deram entrada durante a madrugada do último sábado (14) e, até o momento, não há leitos adequados para isolamento. Um deles permanece no hall do elevador, área de intensa circulação, enquanto o outro segue sem destino definido. A situação é ainda mais alarmante diante da ausência de coleta de líquor pela neurologista de plantão, exame fundamental para confirmação do diagnóstico.

Nesse sentido, trabalhadores (as) denunciam que esses pacientes com suspeita de doenças infectocontagiosas permanecerem em áreas comuns, sem o uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs),representam risco iminente de contaminação cruzada. A exposição é constante e a sobrecarga, desumana.

Além disso, a unidade enfrenta há dias falta de insumos básicos, como capotes e lençois, indispensáveis para a proteção das equipes e dos próprios pacientes. Há quase um mês faltam também  álcool 70% para higienização e  luvas de procedimento. No mesmo setor, há ainda dois pacientes em ventilação mecânica invasiva, um com suspeita de tuberculose e outros casos que exigem isolamento rigoroso, todos mantidos em ambiente sem as mínimas condições de biossegurança.

A justificativa apresentada é a ausência de retaguarda da rede estadual. Hospitais de referência, como o Giselda Trigueiro, se recusam a receber pacientes sob alegações recorrentes de falta de vagas, recursos humanos e insumos, evidenciando a desarticulação da rede e a omissão do poder público.

O Sindsaúde/RN reforça que o Walfredo Gurgel, por ser referência em urgência e emergência e porta de entrada para casos neurológicos, recebe diariamente pacientes com quadros diversos, incluindo sintomas que podem indicar doenças infectocontagiosas graves, como meningite e tuberculose. Ainda assim, os trabalhadores seguem atuando sem o devido respaldo da SESAP e sem o pagamento da insalubridade em grau máximo (40%), mesmo diante da exposição permanente a riscos biológicos.

É inadmissível que profissionais e usuários (as) sejam submetidos a esse nível de precarização. O que está em jogo é a vida de muitas pessoas. O Sindsaúde/RN exige providências imediatas por parte da Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP), com garantia de leitos de isolamento, regularização do fluxo da rede, fornecimento de EPIs e insumos, além do devido reconhecimento dos direitos dos trabalhadores, como o pagamento da insalubridade.