Fernanda Soares
Fernanda Soares

04/03/2026, 11h


O Sindsaúde/RN recebeu uma grave denúncia sobre as condições de trabalho enfrentadas pelos servidores e servidoras do Hospital Giselda Trigueiro, unidade de referência no tratamento de doenças infectocontagiosas no Rio Grande do Norte. De acordo com relatos, o banheiro utilizado por maqueiros e profissionais do setor de raio-X encontra-se em situação extremamente precária, sem condições mínimas de higiene e dignidade.

Trabalhadores (as) da saúde denunciam a presença de lixo acumulado, mau cheiro e um cenário de abandono, que compromete não apenas o ambiente de trabalho, mas também a segurança e a saúde de todos que atuam na unidade. “Nós estamos sem condições de trabalhar. O hospital está abandonado”, desabafou um trabalhador que preferiu não se identificar.

A situação se agrava com a greve dos higienistas, que seguem paralisados há 47 dias por falta de pagamento. Além de dois meses de salário atrasado, a empresa também deve sete meses de vale-alimentação e não efetuou o pagamento das férias. O Sindsaúde/RN se solidariza com o movimento grevista e reforça que a greve é legítima e um direito constitucional. “São pais e mães de famílias que estão passando dificuldade.  É desumano e cruel deixar esses trabalhadores sem seus provimentos. Salário é um direito. Trabalhar sem receber é escravidão!”, denuncia Paulo Martins, diretor do Sindsaúde/RN. 

Um servidor que estava de plantão noturno nesta terça (04) contou que precisou dividir sua própria refeição com uma auxiliar de serviços gerais, que não tinha o que jantar. “Eu chorei. Dei a minha janta para ela. O hospital não tem compaixão de dar um prato de comida a um terceirizado”, desabafou.

Para nós do Sindsaúde/RN, esse problema é reflexo da terceirização e privatização da saúde, intensificada pelo governo do Estado. Por isso, cobramos urgentemente uma postura firme do governo Fátima em relação às empresas terceirizadas.  “O governo precisa assumir sua responsabilidade e garantir o pagamento dos trabalhadores e condições dignas de trabalho. Não é justo que profissionais essenciais à saúde pública sejam tratados com tanto descaso”, acrescenta Paulo.

Infelizmente, a crise no Hospital Giselda Trigueiro escancara não apenas a precarização das condições de trabalho, mas também a fragilidade da gestão do governo Fátima com a saúde pública do nosso estado. O cenário de abandono, os direitos negados e a ausência de respostas concretas por parte do governo revelam falta de prioridade com a saúde e com aqueles e aquelas que diariamente salvam vidas. Governadora, a saúde merece respeito!