Thalia Varela
Thalia Varela

23/07/2026, 16h


Nesta quinta-feira (23), o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN) voltou a denunciar o agravamento da situação estrutural do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal. Ao todo, 10 leitos de UTI do setor G2 estão bloqueados em decorrência dos vazamentos, infiltrações e alagamentos provocados pelas fortes chuvas que atingem a capital e diversos municípios potiguares. O problema é um desdobramento da denúncia feita pelo sindicato no último sábado (18), quando seis leitos do lado A da UTI G2 já haviam sido interditados pelos mesmos motivos. De acordo com informações apuradas pelo Sindsaúde/RN junto aos trabalhadores da unidade, agora os quatro leitos do lado B também foram bloqueados. O último paciente que permanecia internado no setor foi remanejado na última terça-feira (21) e, desde então, a UTI encontra-se completamente desocupada, sem pacientes e sem profissionais atuando no local.

Segundo relatos de servidores do maior hospital de urgência e emergência do Estado, a situação poderia ter sido evitada caso os problemas estruturais tivessem recebido a devida atenção ao longo dos últimos anos. "Esse problema é antigo, já tem mais de um ano. Começou com uma única goteira em cima de um leito e, toda vez que chovia, a gente precisava transferir os pacientes. Depois foi piorando: de um leito passou para dois, depois três, até chegar ao ponto de interditar toda a UTI G2", denunciou uma servidora, que preferiu não se identificar. Além da interdição dos dez leitos de terapia intensiva, as salas de repouso dos técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos também apresentam infiltrações, alagamentos e condições inadequadas para o trabalho.

Enquanto o secretário estadual da Saúde, Alexandre Motta, segue negando o fechamento desses leitos de UTI, trabalhadores da unidade confirmaram a informação ao Sindsaúde/RN por meio de fotos, vídeos e relatos. "Nós que trabalhamos aqui sabemos qual é a realidade. O fechamento era necessário para garantir a segurança, mas poderia ter sido evitado se tivessem resolvido o problema quando apareceu a primeira goteira. Sempre que chove, a situação retorna e fica ainda pior. Desta vez, tivemos que transferir os pacientes às pressas; alguns foram remanejados para outras UTIs e outros, que apresentaram melhora, seguiram para as enfermarias. É uma situação muito complicada", afirmou outra profissional, em anônimo. 

Diante do agravamento da situação, o Sindsaúde/RN cobra providências imediatas do Governo do Estado e da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) para recuperar a estrutura do Hospital Walfredo Gurgel e garantir a reabertura dos leitos de UTI da G2 o mais rápido possível. Para nós do sindicato, os alagamentos e infiltrações não são consequências apenas das chuvas, mas do abandono e da falta de manutenção preventiva em uma das principais unidades hospitalares do Rio Grande do Norte. Por isso, reforçamos mais uma vez que esses são problemas antigos, amplamente conhecidos pela gestão estadual, e que não podem continuar comprometendo a assistência à população e as condições de trabalho dos profissionais de saúde.