Fernanda Soares
Fernanda Soares

01/05/2026, 08h


Em muitos países, inclusive o Brasil, o dia 1º de maio é feriado. A data é conhecida como “Dia do Trabalhador”. Mas, o que muitos não sabem é que esse dia tem origem da luta histórica da classe trabalhadora por direitos. Uma história que, infelizmente, setores do movimento operário também tem tentado apagar.
O “1º de Maio” surgiu como resposta à exploração excessiva enfrentada pelos trabalhadores e trabalhadoras. No final do século 19, o desenvolvimento do capitalismo, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, era sustentado graças à superexploração da classe trabalhadora.

Camponeses e trabalhadores independentes eram expropriados de seus meios de trabalho e jogados nas fábricas, onde não existiam leis ou regras de proteção ao trabalho. Operários — inclusive mulheres e crianças — chegavam a trabalhar mais de 16 horas por dia, com salários muito baixos e sem qualquer tipo de proteção.

Diante disso, os trabalhadores começaram a se organizar. Criaram sindicatos, associações e partidos políticos, com o objetivo de lutar por melhores condições de vida e trabalho. E entenderam que essa luta não podia ser apenas local. Era uma causa comum a milhões de pessoas, em vários países, independente de suas nacionalidades.

Foi nesse contexto que, no dia 1º de maio de 1886, milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas na cidade de Chicago (Illinois), no Norte dos Estados Unidos, para protestar e exigir a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Uma grande manifestação foi marcada e o que era para ser um protesto pacífico, virou tragédia. A repressão foi brutal. A polícia abriu fogo contra a multidão e o número de mortos nunca pôde ser apurado.

A repressão ao 1º de maio de 1886, em Chicago, foi o ponto alto de um processo de ataques aos trabalhadores nos grandes centros industriais da época. Se, por um lado, inexistiam leis de proteção ao trabalho; por outro, o capital contava com leis para impedir a organização dos trabalhadores e trabalhadoras. Em muitos países, sindicatos e partidos eram proibidos ou fortemente controlados e quem tentasse organizar a classe operária era considerado criminoso.

De lá pra cá, a classe trabalhadora nunca parou de lutar. Todas as conquistas foram arrancadas através de muito suor e sangue derramado. Por isso, para nós do Sindsaúde/RN, é fundamental preservar o caráter classista e internacionalista do 1º de Maio. É necessário fortalecer a unidade dos trabalhadores em todo o país, lutar pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada sem redução salarial, exigir o cumprimento dos acordos de greve, defender a revogação da reforma trabalhista e combater a pejotização. Além disso, é essencial enfrentar as privatizações e o arcabouço fiscal, combater os feminicídios e defender os territórios indígenas e quilombolas. Trata-se de uma luta contínua por dignidade, justiça social e melhores condições de vida para toda a classe trabalhadora.