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06 de dezembro de 2018

Bolsonaro diz que é "difícil ser patrão" no Brasil e defende aprofundar Reforma Trabalhista


Falta pouco menos de um mês para Jair Bolsonaro (PSL) assumir a presidência do Brasil, mas a depender de medidas já anunciadas e declarações, os trabalhadores podem se preparar, pois mais ataques aos direitos vêm por aí. Em reunião com parlamentares do MDB, em Brasília, nesta terça-feira (4), o presidente eleito defendeu um “aprofundamento” da Reforma Trabalhista, aprovada no governo de Temer. De acordo com Bolsonaro, é “horrível” ser patrão no Brasil com a legislação atual.

“Quero cumprimentar quem votou na reforma trabalhista. Devemos aprofundar isso daí. Ninguém mais quer ser patrão no Brasil, é horrível ser patrão no Brasil com essa legislação que está aí. Nós queremos, através do parlamento, mudando as leis, fazer com que nós tenhamos prazer de ver pessoas investindo no Brasil e pessoas dentro do Brasil acreditando no seu potencial”, disse.

Mais tarde, em entrevista coletiva, ele disse que ainda está estudando as reformas que quer fazer, mas repetiu uma frase que já falou várias outras vezes, de que “não basta ter só direitos e não ter empregos”.

“Não quero entrar em detalhes aqui, estamos estudando. Agora, não basta ter só direitos e não ter empregos. Esse é o grande problema que existe. A guerra da informação, tenho dito aos empregadores, eles têm que entrar nessa guerra, não deixar a cargo do governo. Alguns falam até que poderíamos nos aproximar da legislação que existe em outros países, como os Estados Unidos. Acho que seria aprofundar demais. Mas a própria reforma trabalhista última, em que votei favorável, já tivemos algum reflexo positivo. O número de ações trabalhista praticamente diminuiu pela metade. E hoje em dia continua sendo muito difícil ser patrão no Brasil, não há dúvida”, falou em frente às câmeras de TV.

Difícil é a vida dos trabalhadores

A declaração de Bolsonaro causa, no mínimo, indignação e repulsa. Acreditar que a vida de empresários no Brasil é difícil, pois a legislação trabalhista é bondosa demais é um escárnio com os trabalhadores que hoje sofrem com um alto desemprego, a precarização das condições de trabalho, os baixos salários e a perda de direitos. Situação que, vale ressaltar, se agravou ainda mais após a Reforma Trabalhista de Temer, na qual Bolsonaro votou favorável.

O que Bolsonaro destaca como suposto “reflexo positivo”, com a queda do número de ações trabalhistas, é inclusive um dos inúmeros aspectos negativos da reforma, pois os trabalhadores agora correm o risco de ter de arcar com as custas altíssimas dos processos. Bolsonaro só não fala do aumento das demissões, dos trabalhos precários, da informalidade e da perda de direitos que a reforma trouxe.

A Reforma Trabalhista alterou para pior mais de 100 artigos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), estipulou que o negociado vale mais que o legislado (para permitir a redução de direitos garantidos por lei) e permitiu situações absurdas, como o trabalho intermitente (quando não há jornada, nem salário fixo) e que mulheres grávidas e lactantes possam trabalhar em locais insalubres (perigosos à saúde), entre vários outros ataques.

“Não é a primeira vez que Bolsonaro faz declarações que demonstram sua visão sobre as relações de trabalho no país, em que acredita que os patrões é que sofrem e os trabalhadores têm privilégios. Declarações como essas e medidas como a extinção do Ministério do Trabalho mostram que Bolsonaro vai repetir os governos anteriores, ou seja, vai governar para garantir os lucros dos grandes empresários do país, que já se acostumaram com isenções de impostos e financiamento barato”, avalia o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Paulo Barela.

“Mesmo os trabalhadores que votaram em Bolsonaro não deram carta branca para que ele retire direitos e piore ainda mais as condições de vida. Portanto, passadas as eleições, a classe trabalhadora precisa se organizar e estar preparada para lutar em defesa dos direitos e contra qualquer ataque que venha a partir do próximo ano”, afirmou Barela.

 

Autor: CSP-Conlutas

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